Portal de Uruçuí - A Notícia do Tamanho da Verdade!

Estado do Piauí terá 300 novos casos de câncer de pulmão ainda em 2018

No Piauí, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 300 novos casos de câncer de pulmão em 2018

15/09/2018 16:51 em Social Saúde
Estado do Piauí terá 300 novos casos de câncer de pulmão em 2018
Estado do Piauí terá 300 novos casos de câncer de pulmão ainda em 2018

O câncer vai matar 9,6 milhões de pessoas em 2018, representando uma em cada oito mortes entre homens e uma em cada 11 mortes entre mulheres, informou a agência de pesquisa sobre câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em seu relatório Globocan, que detalha a prevalência e a taxa de mortalidade de vários tipos de câncer, a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) disse que estimados 18,1 milhões de novos casos de câncer surgirão neste ano em todo mundo.

O câncer de pulmão – causado principalmente pelo fumo – é a principal causa de mortes por câncer em todo o mundo, segundo o relatório. Assim como o câncer de mama, o câncer de pulmão também está entre as maiores causas de casos novos da doença: 2,1 milhões de casos novos de cada tipo devem ser diagnosticados somente neste ano. Com uma estimativa de 1,8 milhão de casos novos em 2018, o câncer colorretal é o terceiro tipo mais diagnosticado, seguido pelo câncer de próstata e o câncer de estômago.

No Piauí, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 300 novos casos de câncer de pulmão em 2018, sendo 180 em homens e 120 em mulheres, que se somam aos outros casos já diagnosticados nos anos anteriores. O médico oncologista Danilo Fonseca lembra que o principal fator de risco relacionado ao câncer de pulmão é o tabagismo.

"Em 90% dos casos, o câncer de pulmão está relacionado ao tabagismo, de forma que há uma recomendação formal contra o tabagismo, por ser carcinogênico. O tabagismo predispõe o surgimento de câncer de pulmão e de diversos outros tipos, como câncer de lábio, língua, faringe, esôfago, estômago, rim e até mesmo de colo de útero e bexiga, pois o fato de inalar a fumaça com as substâncias cancerígenas, que são mais de 50 que o cigarro libera na corrente sanguínea, levam a um aumento da predisposição também do câncer de colo de útero e de bexiga", afirmou.

Os sintomas do câncer de pulmão estão relacionados, principalmente, ao surgimento de nódulos no pulmão, dando efeitos locais, como tosse persistente, associada à perda de peso, presença de sangue no escarro e falta de ar. As pessoas que fazem uso de cigarro e apresentam esses sintomas devem procurar o pneumologista para fazer uma avaliação detalhada. "Sempre existe espaço e benefício de interromper o tabagismo, já que cerca de 10 a 15 anos depois o risco de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo diminui consideravelmente, inclusive, o risco de desenvolver um câncer de pulmão. Portanto, vale a pena, sim, parar de fumar", acrescentou.

O tratamento do câncer de uma forma geral pode ser feito com cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Nos casos de câncer de pulmão, pode se utilizar uma, duas ou até três modalidades de tratamento. O oncologista Danilo Fonseca destaca ainda novas tecnologias que têm auxiliado no tratamento da doença.

"Nos últimos anos, houve a incorporação de duas novas tecnologias para o tratamento do câncer de pulmão avançado, que é imunoterapia e a terapia alvo, duas novas modalidades de tratamento se somaram à quimioterapia, radioterapia e cirurgia como possibilidades de tratamento do paciente oncológico com câncer de pulmão, melhorando substancialmente o controle da doença e os índices de cura e boa resposta aos tratamentos, possibilitando ao paciente conviver com a doença durante anos com um bom controle e qualidade de vida", completou o especialista.

Cigarros eletrônicos também são considerados cancerígenos

No Brasil, a lei não permite a produção e a comercialização dos cigarros eletrônicos, mas o seu uso não é considerado crime, por isso, quem faz uso do equipamento compra em outros países. O líquido presente no dispositivo contém nicotina e a pessoa aspira da mesma forma como faz com o cigarro comum, mas é expelido vapor em vez de fumaça. No entanto, é importante saber que este não é um vapor d'água e contém substâncias tóxicas. Portanto, fumar o cigarro eletrônico faz mal à saúde.

O médico oncologista Danilo Fonseca lembra também que o cigarro eletrônico foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2009, porque não existem dados de segurança que ele seja menos tóxico que o cigarro convencional. "O cigarro eletrônico prometia ter um filtro que deixava somente inalar a nicotina, mas não há dados que esse filtro seja realmente seguro, bem como a nicotina também é uma substância cancerígena dentro do tabaco", afirma.

Dr. Danilo Fonseca esclarece que existe tanto a recomendação de não fumar como forma de prevenção primária, mas também existe a prevenção secundária, que é a chamada detecção precoce, um rastreamento do câncer de pulmão. "Essa detecção está indicada para aqueles pacientes acima de 50 anos que tiveram uma carga tabágica de pelo menos 15 anos maço, que é o número de maços que o paciente usa por dia multiplicado pelo número de anos que ele utilizou. Então, se ele usou um maço por dia durante 15 anos, ele tem 15 anos maço, a partir desse tempo todo, o paciente que chegar aos 50 anos de idade pode procurar o especialista para tentar fazer detecção precoce de câncer, por meio de rastreamento, tomografia computadorizada do pulmão, uma vez por ano, na tentativa de buscar nódulos assintomáticos para aumentar as chances de cura", finaliza.

PI terá 7 mil novos casos de câncer

Os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Piauí tenha cerca de 7 mil novos casos de câncer em 2018, sendo 3.450 casos em homens e 3.450 em mulheres. Os valores da estimativa estão com base a cada 100 mil habitantes. O tipo de câncer mais incidente em homens e mulheres no estado foi o de pele não melanoma, que é um tipo de tumor menos letal. Nos homens, estima-se 1.040 casos novos. Já nas mulheres os dados são de 1.000.

O recente estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o fardo crescente do câncer – caracterizado como o número de novos casos, a prevalência e o número de mortes pela doença – deve-se a vários fatores, como o desenvolvimento social e econômico e as populações maiores e mais velhas.

"Estes novos números enfatizam que ainda há muito a ser feito para tratar o aumento alarmante do fardo do câncer globalmente e que a prevenção tem um papel central a desempenhar", disse o diretor do IARC, Christopher Wild, em comunicado que acompanhou o relatório.

Wild pediu que políticas eficientes de prevenção e detecção precoce sejam implantadas urgentemente "para controlar esta doença devastadora em todo o mundo". O relatório disse que os esforços de prevenção – como campanhas antifumo, exames e vacinações contra o vírus do papiloma humano – podem ter ajudado a reduzir a taxa de incidência de alguns tipos de câncer, como o câncer de pulmão em homens do Norte da Europa e da América do Norte, e câncer cervical na maioria das regiões, com exceção da África subsaariana.

Fonte: Meio Norte

Comentários